APOIO NECESSARIO.....VALE LEMBRAR.

Frente ao diagnóstico positivo de câncer de mama, é absolutamente normal e compreensível que a paciente seja acometida por um turbilhão de sentimentos confusos. Medo, revolta, incertezas e muitas perguntas sem respostas. As reações são as mais variadas. “Não há uma reação padrão, varia de negação – ‘não é possível, você tem certeza? pode repetir o exame?’ – a indiferença, como se o que está sendo falado não fosse sobre a pessoa que ouve”, diz a mastologista Fabiana Makdissi, do Hospital A.C. Camargo. “Mas acredito que a reação mais frequente seja o silêncio seguido de choro, normalmente reprimido. Isso é preocupante, pois a partir daí não se sabe mais o que a paciente realmente ouve nem ‘como’ ela ouve, ou seja, como absorve as orientações”, explica a médica.

A notícia pode parecer terrível, mas nesse momento é preciso ter calma, na medida do possível. Ouça seu médico e tire todas as suas dúvidas sobre o que tem, qual o tratamento mais adequado e quais os passos a serem seguidos. Além de cuidar da sua saúde, você tem de estar atenta também ao seu lado emocional. O medo, a ansiedade e as inevitáveis perguntas – “Quem vai cuidar da casa, dos filhos, do marido, do trabalho? O que vai acontecer comigo? Vou perder a mama? Vou perder o cabelo? Quem vai me acompanhar, cuidar de mim? E minha família?” – podem nos afastar do que é mais importante: o tratamento. Procure ficar firme para entender o que está acontecendo, mas lembre-se de que você precisa de muito apoio e tem direito a todas as informações e orientações necessárias.

A princípio, uma conversa franca com seu médico vai clarear um pouco essa confusão inicial. Feito isso, você pode ter uma opção viável e muito indicada: procurar os profissionais disponíveis em grande parte dos hospitais que podem orientá-la e ajudá-la nessa empreitada. São psicólogos e psiquiatras especializados em oncologia. Portanto, não se intimide, isso não é um sinal de fraqueza – muito pelo contrário – e eles não são indicados para quem está “louco” ou “vai mal das ideias”. É preciso desmitificar esse conceito, ouvir o que esses profissionais têm a dizer e saber como podem te apoiar. Daniela Achette, psicóloga da Unidade de Psicologia Hospitalar do Hospital Sírio-Libanês, esclarece: “O suporte psicológico não significa um processo longo de psicoterapia e sim uma atividade que tem como objetivo trabalhar a adaptação ao tratamento e suas consequências”.

Mas qual é o melhor momento de procurar essa orientação? Não existe hora certa, cada paciente age de uma forma. Existem reações de revolta, medo e até mesmo introspecção. “As necessidades são peculiares, entretanto comuns no momento do diagnóstico, e é importante que o psico-oncologista apresente uma postura de continência que possibilite à paciente expressar seus medos e fantasias. Com isso, conceitos errôneos sobre os tratamentos e o prognóstico oncológicos possam ser trabalhados”, diz Achette. “Cada paciente é única, e orientações sobre seu quadro e os tratamentos indicados podem facilitar no processo de escolha deles”, explica.

APOIO À FAMÍLIA
Célia Lídia da Costa, psiquiatra e diretora do Departamento de Psiquiatria e Psicologia do Hospital A.C. Camargo, explica que nem todas as pacientes identificam a necessidade de buscar um auxilio psicológico, mas ressalta: “Mesmo sem a identificação de problemas, a busca de auxílio pode ser solicitada, e o seria com mais frequência, não fossem as ideias ainda distorcidas em relação aos tratamentos psicológicos”. E enfatiza: “O mais adequado seria que esse auxílio fosse procurado não apenas para a paciente, mas também para os familiares envolvidos”.

Quando um ente querido é acometido de uma doença como o câncer, a família deve acompanhar todo o processo. É importante dar apoio e estar ao lado sempre, mas quem cuida deve ser cuidado também. Muitas vezes os parentes não sabem como agir nem o que dizer numa hora dessas, e é muito normal que se desesperem tanto quanto o paciente. “A família tem muitas dúvidas sobre como lidar com o emocional do paciente e como poder ajudar nesse sentido”, explica Célia Lídia. “Muitas vezes, são eles que nos procuram, por acreditarem que seria seu papel garantir esse suporte e não se sentirem capacitados.” E observa: “Claro que não podem dar esse suporte, até por serem também afetados pelo problema”.

Vera Anita Bifulco, coordenadora do Departamento de Psico-oncologia do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC), concorda com a importância do acompanhamento psicológico extensivo aos familiares: “O impacto da notícia de uma doença grave desestrutura todos os envolvidos com o enfermo, alterando a rotina familiar pela preocupação com o sofrimento de seu ente querido, pela necessidade de haver uma pessoa como cuidador e pelo estresse que esse cuidado contínuo pode causar”. No IPC, o serviço de psico-oncologia tem início antes mesmo da primeira consulta médica, acolhendo paciente e família como uma única unidade de atendimento. “Esse procedimento tem como objetivo minimizar a ansiedade de quem vai a uma consulta com um oncologista, e até maximizar o aproveitamento do paciente nesse primeiro encontro com o médico”, conta Bifulco. “Nosso foco é proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente, desde a prevenção, passando pelo diagnóstico, tratamento, cura e/ou cuidados paliativos”, explica.

DE CABEÇA ERGUIDA
No processo de tratamento do câncer de mama, a saúde emocional tem papel essencial e deve ser acompanhada por quem entende do assunto. Mudanças de comportamento, tristeza e depressão não colaboram e podem atrapalhar na recuperação. Otimismo, positividade e confiança ajudam muito.

Respeite o seu tempo. Você pode querer falar da doença inicialmente apenas com seus familiares, mas lembre-se de que confiança também se conquista e é possível estabelecer essa relação com o seu médico e com o psico-oncologista. Para Daniela Achette, do Sírio-Libanês, é importante que o profissional se mantenha por perto, mas sempre respeitando o silêncio e o tempo que cada uma precisa para “aprender a pedir ajuda”. E esclarece: “Geralmente, as pacientes tendem a se abrir aos poucos e elegem num primeiro momento – mesmo que não façam isso em um nível muito consciente – poucas pessoas com quem compartilhar sua vivência. O respeito ao ritmo de cada uma acaba sendo um modo muito eficiente de ajuda”.

A psiquiatra Célia Lídia da Costa, do Hospital A.C. Camargo, tem a mesma opinião: “A ajuda precisa ser oportuna. Há pessoas que lidam de forma introspectiva com seus problemas e isso deve ser respeitado. A garantia da presença do profissional em caso de necessidade é fundamental, mas também a liberdade e o respeito à individualidade”. Para ela, a confiança às vezes leva tempo: “Precisa ser aos poucos conquistada pelo psicólogo”.

Com o suporte psicológico, o enfrentamento da doença pode ser mais tranquilo, uma vez que será possível falar abertamente sobre todas as suas aflições “O câncer ainda traz um mito muito vivo de uma doença fatal, revestida de muito sofrimento e dor”, lembra Vera Anita Bifulco, do IPC. “A existência de uma equipe multiprofissional para atender paciente e família no enfrentamento do câncer facilita, e muito, para que casos mais difíceis de serem abordados tenham maior sucesso, pois o paciente se vê cuidado integralmente por uma equipe em que todos se preocupam com ele e estão à disposição para atendê-lo na urgência e na demanda que ele venha a ter.”

Assumir a doença e o tratamento é fator fundamental na busca da cura. Acredite, cuide de você por inteiro e enfrente o que vier de cabeça erguida. Você pode vencer essa luta!

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