QUANDO......O CORAÇAO FALA MAIS ALTO

03/08/2011 18h16 - Atualizado em 03/08/2011 20h33


Pacientes com câncer ganham perucas em hospital de BH

Três mulheres que fazem quimioterapia receberam o acessório.
Psicóloga diz que iniciativa ajuda no combate a doença.

Pedro TriginelliDo G1 MG

Elizabeth de Azevedo olha no espelho pela primeira vez com a peruca (Foto: Pedro Triginelli/G1)Elizabeth de Azevedo olha no espelho pela primeira
vez com a peruca (Foto: Pedro Triginelli/G1)

Já imaginou receber de presente de aniversário a notícia de que você está com câncer? Pois é, isso aconteceu com a gerente de marketing, Elizabeth de Azevedo, há três anos. Hoje, com 34 anos, apesar de não ser o aniversário dela, a notícia foi bem mais alegre. Ela e duas outras pacientes, que fazem sessão de quimioterapia no Hospital Mário Penna, em Belo Horizonte, receberam de presente uma peruca nesta quarta-feira (3). "Para a mulher o pior momento não são os enjôos, as quimioterapias, e sim quando você perde os cabelos. Você perde a sua feminilidade. Sei que o primeiro presente [a notícia da doença que recebeu há três anos] não foi bom, mas esse [a peruca] foi ótimo. É um passo para se sentir mais perto da cura", disse.

A iniciativa de ajudar os pacientes com câncer é uma parceria entre o hospital e um núcleo de terapia capilar. Segundo a dona do núcleo, Fernanda Tompa, ela e mãe procuraram hospitais onde as pessoas não tinham condições de comprar as perucas para fazer a parceria. Os acessórios são feitos de cabelos naturais e valem entre R$ 1 mil e R$ 3 mil.

Nelsione Dias quando chegou ao hospital e depois de receber a peruca (Foto: Pedro Triginelli/G1)Nelsione Dias quando chegou ao hospital e depois
de receber a peruca (Foto: Pedro Triginelli/G1)

A doméstica Nelsione Dias, que também recebeu uma doação, disse que perdeu os cabelos com o tratamento contra o câncer em fevereiro deste ano, mas até hoje chora ao se olhar no espelho. "A queda do cabelo é muito triste. Estou muito alegre com este presente. Não tenho condições de comprar uma peruca. Não esperava ganhar. Vou ficar emocionada ao me olhar de cabelo todos os dias", explicou. Ela recebeu uma peruca com cabelos castanho claro até os ombros.

O diretor do hospital, Éder Lucio, comentou que reconstituir a imagem do paciente é fundamental para o tratamento. "Para receber as doações, o paciente deve estar recebendo o tratamento pelo Sistema Único de Saúde e não precisa comprovar renda", disse.

A psicóloga do hospital, Andrea Pereira Gazzinelli, disse que a peruca traz força para que as mulheres consigam combater a doença. "Para algumas mulheres, o cabelo representa a identidade do ser feminino. Com a perda dele, ela passa a ter dificuldade de se inserir na vida social", falou.

A terceira paciente, Elenice Mendes Pereira, de 33 anos, já tinha uma peruca, mas disse que as feitas com cabelos naturais são mais reais. "A gente sem o cabelo não é nada. Fui tomar banho e os cabelos caíram em minhas mãos", falou. Ela saiu do hospital com os cabelos claros, escovados até os ombros.

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